Os delegados causaram grande surpresa no Centro de Convenções Bella, em Copenhague, quando eliminaram a favorita Chicago no primeiro turno, apesar do apoio pessoal sem precedentes demonstrado pelo presidente dos EUA, Barack Obama.
Tóquio foi a próxima cidade a ser eliminada. No terceiro turno, o Rio derrotou Madri por 66 votos a 32. Será assim a primeira cidade sul-americana a organizar uma Olimpíada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o local com lágrimas nos olhos. "Achei que nunca mais seria tocado (por tanta emoção) na minha vida. O Rio tem alma, tem coração," afirmou Lula a jornalistas.
No primeiro turno da votação, Chicago teve apenas 18 votos, apesar dos discursos eloquentes feitos horas antes por Obama, primeiro presidente em exercício dos EUA a comparecer a uma sessão do COI, e pela primeira-dama, Michelle Obama.
Nesse estágio, Madri venceu com 28 votos, seguida por Rio (26) e Tóquio (22).
No segundo turno, o Rio esteve perto de conseguir a maioria absoluta, com 46 votos, seguido por Madri (29) e Tóquio (20).
Na rodada final, a candidatura carioca confirmou sua liderança.
O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, disse à Reuters que "o Rio foi um grande candidato". "Valeu o esforço. O esporte olímpico às vezes segue esses caminhos. Tivemos um ótimo resultado, e haverá outras oportunidades."
NERVOSISMO
Causando ainda mais nervosismo no momento de suspense, o presidente do COI, Jacques Rogge, "apanhou" do envelope e adiou o anúncio em alguns segundos.
"Como em toda competição só pode haver um vencedor", disse ele. "Nesta noite, tenho a honra de anunciar que os Jogos da 31a Olimpíada serão concedidos à cidade de. Rio de Janeiro", afirmou Rogge.
Carlos Nuzman, chefe da candidatura carioca e presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, abraçou Lula, ambos chorando, e disse: "Conseguimos, conseguimos".
A delegação brasileira então cantou em uníssono "Cidade Maravilhosa", todos agitando bandeiras e se abraçando. Pelé, chorando, era um dos mais emocionados.
Os dois finalistas fizeram apresentações finais impecáveis, com apelos apaixonados por parte de Lula e do espanhol Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do COI.
Lula convenceu os delegados de que era hora de realizar pela primeira vez uma Olimpíada na América do Sul.
Já Samaranch, que dirigiu o COI por mais de duas décadas, pediu aos eleitores que levassem sua idade em conta. "Sei que estou muito perto do fim dos meus dias", disse o dirigente, de 89 anos. "Posso lhes pedir que considerem conceder ao meu país a honra e também o dever de organizar os Jogos em 2016?"
Foi um apelo humano que sem dúvida ajudou a levar Madri para a final, mas não para impedir a vitória do Brasil.
(Reportagem adicional de Karolos Grohmann)

